19 de junho de 2017

Seres de liberdade.

A busca incansável pela liberdade se faz presente cada vez mais intensa; nós, seres de liberdade, possuímos essa busca embutida na essência e que é cada vez mais intangível dentro das rotinas avassaladoras e preenchidas de stress. Pessoas de espírito livre não nasceram para ser presas, são ciganos do mundo, donos de si, sem raízes, diferentes, espontaneamente nomeados de desapegados e em busca dos limites que o prazer da liberdade proporciona. São jovens, adultos ou idosos que largam tudo em busca do desconhecido, do novo, do combustível chamado "mudar". O mesmo não completa, é preciso mais, é preciso um mundo de portas e descobertas. São almas carentes de novos ares, que se preenchem de amor e felicidade enquanto vivem a liberdade das mais malucas histórias de vida. Viver é não se limitar, esse é o lema. Liberdade aos que gostam de ser pássaros sem gaiola, que voam sem destino, pousam e vira e mexe voltam ao seu cantinho. 


 São seres que desejam vários mundos, histórias, cenários, pessoas e culturas abaixo dos pés, gostam de fotografar com os olhos os momentos que não se registram de forma tangível, são personalidades nômades, insatisfeitas com o comodismo, com a mesmisse, com a falta de desafios e loucuras em meio a selva de pedra. Viver é muito mais que trocar de endereço, emprego, parceiro ou bar, para os seres de liberdade, viver é não ter endereço, é ser do mundo, é ser questionado pelos amigos de longa data por "e agora, onde você está?", é ter amigos ao redor do mundo, histórias em outros idiomas, são vidas que se cruzam em uma noite e nunca mais. Seres de liberdade querem mais, querem o mundo e suas portas. 


Liberdade de carregar uma casa nas costas, dentro de uma mochila, com passaporte carimbado e algumas moedas e notas qualquer no bolso. São desapegados, desprendidos, destemidos. Seres de liberdade vieram ao mundo para viver a vida como ela é, o que ela proporciona e sem medo do que vem depois de amanhã. São corajosos de natureza, donos de uma razão ímpar, única, sem medo de deixar rastros.


Liberdade ímpar, donos de corações de fogo, genuinamente ricos de amor, fé e desejos insaciáveis. São campeões natos, que lutam contra a loucura de um mundo cada vez mais doentil e consumista. Seres de liberdade são donos de asas capazes de levá-los a qualquer lugar do mundo, são altruístas, sonhadores e personagens principais dessa peça de teatro que não permite ensaios, o que alguns chamam de vida, os seres de liberdade chamam de viver.


Até breve,

13 de junho de 2017

Wanderlust.

Vou começar o texto de hoje adaptando uma música que eu adoro, da inesquecível Cássia Eller (maravilhosamente cantada por Nando Reis): "Estranho seria se eu não me apaixonasse por viajar ... ". Viajar é abrir a janela da alma, são portas infinitas e possibilidades diversas. Viajar é navegar em mares inacessíveis, descobrir sensações, respirar o ar da liberdade, do céu infinito. O texto é reflexivo, como a grande maioria que escrevo por aqui, mas hoje dedico ele aos amantes e apaixonados pelo mundo desconhecido.



Wanderlust, palavra alemã que não poderia expressar com tanta exatidão a delícia que é viajar; Wanderlust: Desejo intrínseco e profundo de viajar. Precisa de mais? Se faz muito com pouco, não precisa de rios de dinheiro para viajar, essa regra é básica, compreenda. Passei anos da minha vida pingando de cidade em cidade, descobrindo e me adaptando as mais diversas culturas, lugares e pessoas. Assim como muitos, meu tempo também é corrido, mas gosto de apreciar meu tempo livre viajando em leituras e planejando qual o próximo destino vou conhecer. Repito, se faz muito com pouco: primeiro comece, depois planeje e em seguida execute (e isso não serve só para viagens). Viajar não necessariamente é um plano caro, basta saber como, quando e para onde ir, o mundo é imenso, mas há muitos outros mundos ao seu redor, explore! Viajar é mudar a alma de casa, é pegar o carro sem rumo, abdicar de gastos desnecessários e deixar para estrapolar no desconhecido. Sou grata por essa essência sem apegos, não tem preço que pague abastecer a alma com um pôr do sol de outro ângulo, sair da rotina, provar novos sabores, sentir a brisa leve, o voar dos pássaros, a dança das árvores durante uma ventania inesperada. Se teme o novo, o desconhecido, as variáveis do medo e da insegurança, mas não se teme a bagagem da experiência, dos rios de histórias a se contar, da taça de vinho em noite fria, do mar azul, do deslumbrante pôr do sol do alto da montanha. Viajar é trocar o disco, é mudar o ritmo da música, é dançar ao som do vento de novos horizontes e paisagens. O corpo pede, avisa, dá sinais de que é necessário sair do comum. Viajar é escrever o próprio livro, tecer as próprias experiências, eternizar cada registro fotográfico que somente os nossos olhos são capazes de captar, é renascer. 


Viajar não requer passaporte, uns trocados, cartão de crédito e tempo, isso é planejamento, por ora necessário. Viajar requer um querer intenso da alma, algumas reservas de trocado e consciência para trocar alguns finais de semana com gastos desnecessários e reservá-lo para abastecer a alma de energia e enriquecer a conta bancária da vida de novos destinos. O único passaporte sem validade é aquele carimbado de histórias que somente você poderá contar, e esse tem passagem livre em qualquer lugar do mundo. Viajar é trocar a alma de casa algumas vezes e ter certeza que todo o pouco (ou muito) dinheiro investido, é somente um mero detalhe. Viajar é a única coisa que você compra e que te faz mais rico. Colecione momentos e não coisas.



Até breve.


1 de junho de 2017

Pessoas Sensíveis

      Milhares de pessoas passam pela nossa vida nessa jornada diária de um dia após o outro, sabemos definir como ninguém personalidades singulares e tão diferentes da nossa, por outro lado reconhecemos também pessoas que simplesmente são tão parecidas com o nosso jeito e personalidade, que até nos assustam. Hoje estou aqui para falar de sensibilidade, este substantivo feminino que muitos confundem com fragilidade e insegurança. Pessoas sensíveis não são frágeis, pesquisas apontam que somente 20% das pessoas no mundo são altamente sensíveis e frágeis emocionalmente, estas são dotadas de um sistema nervoso extremamente suscetível a profundidade, elas processam de maneira profunda o que chegam até elas e extintivamente já possuem um elevado grau de sensibilidade para captar nuances nas palavras, comportamentos e linguagem corporal, e são essas que de alguma maneira lhe sobrecarregam sem desejar, já os outros 80% são pessoas sensíveis em um outro aspecto; o de conduzir com emoção suas relações e responsabilidades. Pessoas sensíveis são conhecidas por chorar facilmente, e isso independe de hora ou lugar, simplesmente as emoções transbordam e ponto. Há quem não saiba lidar com pessoas assim, somos todos providos de opiniões diversas e próprias, alguns interpretam o choro como falta de maturidade, sensibilidade aflorada, falta de controle emocional e qualquer outro descontrole pessoal. Venho aqui através desse texto desmistificar essa falha humana do outro em interpretar as emoções e as lágrimas de maneira frágil e insegura. Sensibilidade não é falta de segurança, sensibilidade é intensidade nas emoções. Não há estudos que comprovam que a sensibilidade é caracteristica dominante de pessoas fracas, frágeis ou inseguras, a sensibilidade nessas pessoas simplesmente existe para equilibrar a existência de pessoas altamente racionais.


Embora o texto seja próprio à sensibilidade, vale lembrar que pessoas racionais também não são frias e duras como muitos associam, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Racionalidade é a faculdade de raciocinar, ou seja, está diretamente ligado à forma de usar a razão para tratar as situações, ao contrário de pessoas emocionais, que usam mais da emoção. Há artigos que falam com propriedade sobre a inteligência emocional, que são técnicas e habilidades fundamentais para saber equilibrar a razão x emoção nas situações e relações diárias, e que na minha humilde opinião, é um tema que deveria ser abordado com mais frequência em escolas, faculdades e empresas. Mas voltando ao contexto de sensibilidade, engana se quem pensa que as pessoas sensíveis não são seguras de si e de seus potenciais, que não sabem lidar com situações adversas e difíceis, ou mesmo sob pressão. Frequentemente encontramos pessoas dotadas de razão e duras muitas vezes com o próprio eu interior, a guerra interna dessas pessoas, embora soe irônico, muitas vezes são maiores do que de pessoas altamente sensíveis, tudo é muito relativo, é necessário saber ponderar os pré julgamentos. Já dizia Caetano Veloso: " Uns vão, Uns tão, Uns são, Uns dão, Uns não, Uns hão de, Uns pés, Uns mãos, Uns cabeça, Uns só coração. "


Até breve.

22 de maio de 2017

Manual de Fidelidade

Fidelidade. Nada além do que 10 letras e uma força descomunal. Fidelidade é termo de consentimento de amor e caráter, entre você e você mesmo. Fidelidade é de um para o outro, é de dentro para fora, é valor sincero de lealdade para com os ideais, as pessoas, amores e etecetera. Fidelidade não se resume em não trair, mas em respeitar o limite da ocasião. Ser transparente, inteira, doa a quem doer. É ego limitado, é não se deixar levar por momentos e tentações. Fidelidade é um acordo restrito de honestidade e empatia, é um caminho sem atalhos. É não querer a dor do outro enquanto somos responsáveis por tal. Fidelidade é caminhar em linha tênue com a lealdade e a tentação, é se esquivar de lapsos de carência e prazer efêmero. É sobre estar pronto para ser e ser inteiro. É contrato de partes, é alicerce e base de respeito e confiança. Fidelidade é estar pronto para os obstáculos. Fidelidade não é tão e simplesmente dizer que "o que o olhos não vêem, o coração não sente". Ele sente, e sente muito. Fidelidade não é só maturidade, é tão somente parte íntegra de carater e essência. Fidelidade é zelo, é cuidado, é respeito. Trair é ato covarde. Fidelidade é qualidade, admiração, gratidão. Vivemos uma era desprovida de respeito com o próximo, de falta, de descuido, desogarnização.



Queremos tudo e nada, não nos basta cuidar e zelar por um, há uma guerra ao redor de gente invisível e sem ter o que fazer. Estamos cercados de lobos que a todo momento apoiam seus grandes olhos sob o que temos, desejam o que conquistamos, destroem a passos largos e olhos gordos nossas vitórias. Fidelidade é saber filtrar, é construir muros, é reciprocidade. Fidelidade também é pacto com as próprias escolhas. Nos resta a chance de virar a página, refazer as opções, delimitar as escolhas, as pessoas e o que realmente queremos por perto. Fidelidade é respeitar se em primeiro lugar. É patrimônio próprio, é DNA. Fidelidade não é ego, tão pouco capricho. Fidelidade é saber respeitar o espaço do outro, o limite, a dor. Fidelidade é saber dizer não, é aprender a limitar falsos dizeres, é não alimentar insegurança, medo, intolerância. Saber ser fiel, é só e somente só aprender a tecer o laço que vem de berço, é ser puramente essência.

Até breve. 


11 de maio de 2017

Molho de chaves.

   Somos seres em evolução diária, esquecemos que estamos nessa vida apenas de passagem, nos vendemos por tão pouco e nos esquecemos de detalhes simples e importantes que fazem dessa passagem a bagagem para outras vidas. Antes de começar, aviso que a mensagem do texto não tem carater religioso, mas quem vos fala aqui acredita que há outras vidas além dessa, portanto se você não acredita, recomendo não ler.

Temos chances diárias de aprender com os erros, a vida embora rápida, muitas vezes nos dá algumas chances de errar e aprender, seja no amor ou na dor, seja no conselho, na experiência do outro ou mesmo nos próprios tropeços. Estamos mergulhados em rotinas avassaladoras, frequentemente esquecemos que estamos aqui para errar, acertar, viver, evoluir e principalmente amar. Em um mundo tão movido a tecnologia e informação, deixamos passar horas e mais horas de presença. Estamos tão conectados virtualmente que nos esquecemos de nos conectar com presença. A vida que está é única, embora eu acredite que outras vidas sejam possíveis, dificilmente você saberá ou lembrará do que foi ou do que será em outras vidas, diria que isso é praticamente impossível, exceto por sessões de regressão ou algum nível elevadíssimo de espirtualidade, mesmo assim há controversias. Já disse em outro texto e repito, não sabemos o dia em que vamos nos despedir desta vida para partir para um outro plano astral, portanto a vida é aqui e agora. 




Escolhas são as chaves que a vida nos dá para abrirmos portas e consequências, são essas chaves que ditarão momentos, experiências, erros e acertos que encontraremos pelo caminho, geralmente temos algumas opções de chaves para escolher, e cabe a nós as consequências. Viver é um misto de razão e emoção, altos e baixos, felicidade e tristeza. Não seria vida se tivessemos tudo tão fácil e de mãos beijadas, precisamos de desafios para novos caminhos e oportunidades. Essa vida é um presente e, portanto, deve ser vivida com muito amor e carinho. Devemos cuidar de nossas escolhas, manter bons amigos por perto, alimentar o amor familiar, a base, a essência. A vida passa em um piscar de olhos, é válido chorar, sorrir, viver, se desafiar, sofrer, crescer, amadurecer, evoluir e ser feliz. Amores vem e vão, saudade vira lembrança, bons amigos permanecem, dias difíceis passam e logo o sol volta a brilhar. Nunca é tarde para escolher novas chaves, novos caminhos, viver novas oportunidades e desafios. Estamos aqui para aprender, a vida é uma escola, o dia de ontem não voltará e o de amanhã, se nos couber, será mais uma chance, mais uma chave que abrirá outra porta e assim por diante.