31 de julho de 2017

Coragem.

Viver é uma eterna montanha russa de desafios, altos e baixos, pendências, realizações, sonhos e objetivos, são eles que nos movem e que dá o verdadeiro sentido de existir. A vida é movida a desafios, um mergulho ao novo, a braveza da coragem, essa e muitas outras ações nobres nos mantem como chamas acesas, é o prazer da superação e o gostinho de missão cumprida, combustíveis vitais para a nossa evolução. 

"A palavra “coragem” tem sua origem no Latim CORATICUM, e possuía o mesmo significado. Este termo latino é composto por COR, que significa “coração” e o sufixo -ATICUM, que é utilizado para indicar uma ação referente ao radical anterior. CORATICUM seria, literalmente, ação do coração, isto porque acreditava-se que era neste órgão que a coragem se alocava." Coragem é o atestado de peito aberto, sem garantias, mundo novo, vida nova. Vivemos conscientes uma única vida, somos privilegiados pelo dom divino do livre arbítrio, de escolher outros caminhos, novas possibilidades, mudar o destino. A vida é um sopro. Mudanças são necessárias, sempre bem vindas, regadas de luz, novas energias, tecida por um novo olhar, uma nova fase. Mudar é preciso, é necessário mais do que ter coragem, é preciso se permitir ao desconhecido, ao que nos aguarda. Gerar o bem para colher o bem, semear bons frutos, deixar um bom legado, fazer bons amigos, cuidar do bem estar, da saúde física, psicológica e emocional, é necessário abrir espaço para a coragem dominar, se fortalecer nos sonhos e pela busca incansável pela satisfação pessoal, seja ela no âmbito que for, esse prazer é ímpar e somos os únicos responsáveis pela história que traçamos.



Viver é mais do que estar ali, todos os dias trabalhando, sendo uma boa filha, uma boa mulher, amiga, companheira, profissional... viver é aproveitar as oportunidades, é ver luz no fim do túnel, é nunca desistir. Viver é estado do ser, é se sentir viva, capaz, útil. Viver é ter coragem de mudar o próximo minuto, é encarar de peito aberto as consequências de uma decisão, de uma nova rotina, de uma vitória ou fracasso, coragem é não desistir, é persistir e manter a chama acesa, coragem é uma pequena parte dessa existência que nada se sabe, que acaba como pó, sem qualquer aviso ou advertência. Ter coragem é seguir em frente, é deixar boas histórias, levar bons amigos, bagagem de uma vida bem vivida, missões cumpridas e coração aberto para o que vier.

"O mundo está nas mãos dos que têm a coragem de sonhar e 
de correr o risco de viver seus sonhos". (Paulo Coelho).

A vida muda na proporção da sua coragem.




Até breve,
Luciana Carvalho.

6 de julho de 2017

Saudade.

     Toda lembrança é um pouco de saudade. Saudade só se alimenta de presença, do contrário, são memórias que levamos na bagagem da vida. Aquela casa antiga, aquela amizade que se perdeu no tempo, o animal de estimação que partiu, o ente querido que não pudemos nos despedir em vida, enfim, saudade é uma lembrança - nem sempre tão boa. Estamos de passagem, apenas um vagão em que as coisas acontecem e uma hora estaciona na eternidade, essa é a condição da vida. Saudade é um perfume de mãe, um doce de vó, um abraço de despedida, uma lágrima pesada que nunca escorreu. Esquecemos durante a rotina que cada dia é um presente, uma oportunidade, uma nova chance, não sabemos o dia em que essa chama irá se apagar e acender em outra dimensão, longe do cáos, do barulho, da rotina e dos desejos materiais que ora ou outra carregamos como combustível de satisfação carnal e prazer. Saudade é ter certeza de que aquilo que se foi, já cumpriu sua missão no espaço de tempo em que esteve presente, seja para uma partida entre planos astrais, seja para seguir outros caminhos. Saudade é o cheiro da comida da vovó, dos desenhos animados nas manhãs de sábado, das brincadeiras de rua, do primeiro beijo, dos castigos na infância, da ansiedade para pegar o boletim na escola e também das paixões platônicas da adolescencia. Já dizia Clarice Lispector, "Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come presença." 


 Somos todos um pouco de saudade, de lembrança, de passado, do ontem que não volta. Saudade é sentimento saudável também, se veste de momentos e memórias, presentes dentro de cada um de nós, são correntes e cadeados que arrastamos ora como fardo, ora como brinde. É preciso saber carregar com maestria para não pesar as costas.


Saudade é perfume, sabor, cor, lugar, lágrimas, música, fotografia, objeto, sabor, entre muitas outras coisas que podemos reviver vez ou outra na memória ou como dejavù. Nessa estrada da vida há sempre uma bagagem destinada somente à saudade, ela que ninguém nunca viu, vez ou outra resolve aparecer, invisível e silenciosa, como uma brisa passageira, sem pretenções, somente armada de planos que tocam suavemente nossa alma e nos embalam em outra dimensão. Saudade se define em graus de intensidade e não escolhe a hora que irá vir, saudade é imprevisível, sem hora, dia ou lugar. Ela simplesmente aparece, entra sem bater e devasta também. Saudade é assinatura com firma reconhecida de que vivemos, colecionamos lembranças, pessoas, lugares, cheiros, momentos. Saudade pode ser doce ou amarga, pode ser nó ou sorriso, saudade é metade ou parte inteira, é sensação de despedida sem hora de reencontrar e também reencontro, é relógio parado, tempo distante, copo cheio ou vazio. Saudade é tatuagem, saudade é sensação, fogos de artifício, emoção, intensidade, saudade é eternizar. Saudade é uma mala cheia de histórias, é um mural de fotografias antigas e bilhetes, saudade é o ontem que não volta e o amanhã que será saudade depois de amanhã.


Até breve.

19 de junho de 2017

Seres de liberdade.

A busca incansável pela liberdade se faz presente cada vez mais intensa; nós, seres de liberdade, possuímos essa busca embutida na essência e que é cada vez mais intangível dentro das rotinas avassaladoras e preenchidas de stress. Pessoas de espírito livre não nasceram para ser presas, são ciganos do mundo, donos de si, sem raízes, diferentes, espontaneamente nomeados de desapegados e em busca dos limites que o prazer da liberdade proporciona. São jovens, adultos ou idosos que largam tudo em busca do desconhecido, do novo, do combustível chamado "mudar". O mesmo não completa, é preciso mais, é preciso um mundo de portas e descobertas. São almas carentes de novos ares, que se preenchem de amor e felicidade enquanto vivem a liberdade das mais malucas histórias de vida. Viver é não se limitar, esse é o lema. Liberdade aos que gostam de ser pássaros sem gaiola, que voam sem destino, pousam e vira e mexe voltam ao seu cantinho. 


 São seres que desejam vários mundos, histórias, cenários, pessoas e culturas abaixo dos pés, gostam de fotografar com os olhos os momentos que não se registram de forma tangível, são personalidades nômades, insatisfeitas com o comodismo, com a mesmisse, com a falta de desafios e loucuras em meio a selva de pedra. Viver é muito mais que trocar de endereço, emprego, parceiro ou bar, para os seres de liberdade, viver é não ter endereço, é ser do mundo, é ser questionado pelos amigos de longa data por "e agora, onde você está?", é ter amigos ao redor do mundo, histórias em outros idiomas, são vidas que se cruzam em uma noite e nunca mais. Seres de liberdade querem mais, querem o mundo e suas portas. 


Liberdade de carregar uma casa nas costas, dentro de uma mochila, com passaporte carimbado e algumas moedas e notas qualquer no bolso. São desapegados, desprendidos, destemidos. Seres de liberdade vieram ao mundo para viver a vida como ela é, o que ela proporciona e sem medo do que vem depois de amanhã. São corajosos de natureza, donos de uma razão ímpar, única, sem medo de deixar rastros.


Liberdade ímpar, donos de corações de fogo, genuinamente ricos de amor, fé e desejos insaciáveis. São campeões natos, que lutam contra a loucura de um mundo cada vez mais doentil e consumista. Seres de liberdade são donos de asas capazes de levá-los a qualquer lugar do mundo, são altruístas, sonhadores e personagens principais dessa peça de teatro que não permite ensaios, o que alguns chamam de vida, os seres de liberdade chamam de viver.


Até breve,

13 de junho de 2017

Wanderlust.

Vou começar o texto de hoje adaptando uma música que eu adoro, da inesquecível Cássia Eller (maravilhosamente cantada por Nando Reis): "Estranho seria se eu não me apaixonasse por viajar ... ". Viajar é abrir a janela da alma, são portas infinitas e possibilidades diversas. Viajar é navegar em mares inacessíveis, descobrir sensações, respirar o ar da liberdade, do céu infinito. O texto é reflexivo, como a grande maioria que escrevo por aqui, mas hoje dedico ele aos amantes e apaixonados pelo mundo desconhecido.



Wanderlust, palavra alemã que não poderia expressar com tanta exatidão a delícia que é viajar; Wanderlust: Desejo intrínseco e profundo de viajar. Precisa de mais? Se faz muito com pouco, não precisa de rios de dinheiro para viajar, essa regra é básica, compreenda. Passei anos da minha vida pingando de cidade em cidade, descobrindo e me adaptando as mais diversas culturas, lugares e pessoas. Assim como muitos, meu tempo também é corrido, mas gosto de apreciar meu tempo livre viajando em leituras e planejando qual o próximo destino vou conhecer. Repito, se faz muito com pouco: primeiro comece, depois planeje e em seguida execute (e isso não serve só para viagens). Viajar não necessariamente é um plano caro, basta saber como, quando e para onde ir, o mundo é imenso, mas há muitos outros mundos ao seu redor, explore! Viajar é mudar a alma de casa, é pegar o carro sem rumo, abdicar de gastos desnecessários e deixar para estrapolar no desconhecido. Sou grata por essa essência sem apegos, não tem preço que pague abastecer a alma com um pôr do sol de outro ângulo, sair da rotina, provar novos sabores, sentir a brisa leve, o voar dos pássaros, a dança das árvores durante uma ventania inesperada. Se teme o novo, o desconhecido, as variáveis do medo e da insegurança, mas não se teme a bagagem da experiência, dos rios de histórias a se contar, da taça de vinho em noite fria, do mar azul, do deslumbrante pôr do sol do alto da montanha. Viajar é trocar o disco, é mudar o ritmo da música, é dançar ao som do vento de novos horizontes e paisagens. O corpo pede, avisa, dá sinais de que é necessário sair do comum. Viajar é escrever o próprio livro, tecer as próprias experiências, eternizar cada registro fotográfico que somente os nossos olhos são capazes de captar, é renascer. 


Viajar não requer passaporte, uns trocados, cartão de crédito e tempo, isso é planejamento, por ora necessário. Viajar requer um querer intenso da alma, algumas reservas de trocado e consciência para trocar alguns finais de semana com gastos desnecessários e reservá-lo para abastecer a alma de energia e enriquecer a conta bancária da vida de novos destinos. O único passaporte sem validade é aquele carimbado de histórias que somente você poderá contar, e esse tem passagem livre em qualquer lugar do mundo. Viajar é trocar a alma de casa algumas vezes e ter certeza que todo o pouco (ou muito) dinheiro investido, é somente um mero detalhe. Viajar é a única coisa que você compra e que te faz mais rico. Colecione momentos e não coisas.



Até breve.


1 de junho de 2017

Pessoas Sensíveis

      Milhares de pessoas passam pela nossa vida nessa jornada diária de um dia após o outro, sabemos definir como ninguém personalidades singulares e tão diferentes da nossa, por outro lado reconhecemos também pessoas que simplesmente são tão parecidas com o nosso jeito e personalidade, que até nos assustam. Hoje estou aqui para falar de sensibilidade, este substantivo feminino que muitos confundem com fragilidade e insegurança. Pessoas sensíveis não são frágeis, pesquisas apontam que somente 20% das pessoas no mundo são altamente sensíveis e frágeis emocionalmente, estas são dotadas de um sistema nervoso extremamente suscetível a profundidade, elas processam de maneira profunda o que chegam até elas e extintivamente já possuem um elevado grau de sensibilidade para captar nuances nas palavras, comportamentos e linguagem corporal, e são essas que de alguma maneira lhe sobrecarregam sem desejar, já os outros 80% são pessoas sensíveis em um outro aspecto; o de conduzir com emoção suas relações e responsabilidades. Pessoas sensíveis são conhecidas por chorar facilmente, e isso independe de hora ou lugar, simplesmente as emoções transbordam e ponto. Há quem não saiba lidar com pessoas assim, somos todos providos de opiniões diversas e próprias, alguns interpretam o choro como falta de maturidade, sensibilidade aflorada, falta de controle emocional e qualquer outro descontrole pessoal. Venho aqui através desse texto desmistificar essa falha humana do outro em interpretar as emoções e as lágrimas de maneira frágil e insegura. Sensibilidade não é falta de segurança, sensibilidade é intensidade nas emoções. Não há estudos que comprovam que a sensibilidade é caracteristica dominante de pessoas fracas, frágeis ou inseguras, a sensibilidade nessas pessoas simplesmente existe para equilibrar a existência de pessoas altamente racionais.


Embora o texto seja próprio à sensibilidade, vale lembrar que pessoas racionais também não são frias e duras como muitos associam, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Racionalidade é a faculdade de raciocinar, ou seja, está diretamente ligado à forma de usar a razão para tratar as situações, ao contrário de pessoas emocionais, que usam mais da emoção. Há artigos que falam com propriedade sobre a inteligência emocional, que são técnicas e habilidades fundamentais para saber equilibrar a razão x emoção nas situações e relações diárias, e que na minha humilde opinião, é um tema que deveria ser abordado com mais frequência em escolas, faculdades e empresas. Mas voltando ao contexto de sensibilidade, engana se quem pensa que as pessoas sensíveis não são seguras de si e de seus potenciais, que não sabem lidar com situações adversas e difíceis, ou mesmo sob pressão. Frequentemente encontramos pessoas dotadas de razão e duras muitas vezes com o próprio eu interior, a guerra interna dessas pessoas, embora soe irônico, muitas vezes são maiores do que de pessoas altamente sensíveis, tudo é muito relativo, é necessário saber ponderar os pré julgamentos. Já dizia Caetano Veloso: " Uns vão, Uns tão, Uns são, Uns dão, Uns não, Uns hão de, Uns pés, Uns mãos, Uns cabeça, Uns só coração. "


Até breve.